Casa no campo

Dezembro 3, 2009 - Leave a Response

Tava lendo ontem que o Lombardi morreu, hoje foi a Leila Lopes, a professorinha lá.. Engraçado que eu vi aquele vídeo dela em que ela tá doidona e diz que vai pro céu e tal, heheh.. Daí me toquei de uma coisa que nunca havia prestado atenção dessa maneira:

O céu (vulgo Paraíso e blá) é meio que a saída da Terra, do nosso mundo conhecido e o inferno é estar ainda mais dentro dele. Aí pensei que essa coisa toda de Céu e inferno, espiritualidade e carma fala de liberdade, de não ter que prestar mais contas, de desligar-se de algo, o contrário do que seria o inferno, que seria estar ainda mais amarrado nas suas obrigações, neuroses e relações sórdidas do/para o/para com o mundo.

Eu me sinto bem ao pensar que isso tem a ver com independência das necessidades humanas, tipo desejos e necessidades, é meio que natural se entregar a esse tipo de pensamento pra mim.
Liberdade seria então não ter a obrigação de acordar, dormir, amar, odiar, estar alerta o tempo todo, não desejar ou ter pensamentos obsessivos, vicios em rotinas, narcõticos e idolatria, devaneios insistentes, ou pagar contas e sentir a solidão de ser carne e osso e dormir nas noites abafadas insuportáveis da cidade. Poder criar quando e como quiser, sem depender de matéria prima ou do tempo, a porra do tempo, ou da gratificação, do apoio e aprovação do próximo. Mas no final, sem isso, o que me resta imaginar que existe? Gostaria de saber ou imaginar, talvez acreditar nisso, de ter mais tempo pra pensar à respeito e ter mais variáveis complexas, românticas e recheadas de confusão das deliciosas dúvidas que se tem ao estar vivo e que houvesse paz e contentamento no meu coração por poder pensar nelas, tudo isso junto ao mesmo tempo sem acabar. Tipo.. Fazer o céu aqui, sabe como é? Mas é claro que estou falando de mim, pra mim, comigo.

Queria uma comunidade hippie dentro da minha cabeça, só pra mim. Um refúgio zen,  mas zen(sem) hippies. Sabe a casa no campo da música do Zé Rodrix? Então! algo assim. Com as coisas sob esse prisma, eu só posso dizer que eu pretendo “rodar, rodar e rodar como se já estivesse no céu, por que é pra lá que eu vou”. Bom, eu tô indo, me jogando contra as portas do paraíso até São Pedro ficar puto e me mandar embora, a coisa vai pegar mal e eu por fim vou levar meu currículo pra algum escritório do purgatório, pra dividir umas baias com gente tipo a Leila Lopes e todo almofadinha desclassificado que puder me distrair em toda a minha necessidade de abominar tudo.

::Ouvindo>> The Good, The Band & The Queen
::Wishlist>> Um pouco de paz, uma conta gorda no banco, algo estimulante e novo acontecendo por aí.

Resenha: Girls – Album

Outubro 11, 2009 - One Response
  
 É provável que o primeiro disco dos Girls, intitulado simplesmente Album, seja único, como o ‘Is This It’ dos Strokes, o ‘Bows&Arrows’ dos Walkmen, o ‘Funeral’ dos Arcade Fire, ‘Last Splash’ das Breeders, o ‘Ten’ do Pearl Jam’ (a lista segue ad infinitum) mas isso não é uma grande preocupação pra se ter agora, visto que esse disco é de setembro desse ano e não precisa maturar numa segunda audição pra bater com força.
Antes  deouvir disco, que tem uma produção interessante, ler a história do vocalista, dessas mirabolantes que costuma nos fazer duvidar, vale mesmo ver a apresentação no programa Don’t Look Down, da Pitchfork.TV e depois os clipes de ‘Lust For Life’ e ‘Hellhole Ratrace’ e então ouvir o disco, de preferência nessa ordem.
 
Antes de mais nada, Girls é uma banda com um disco e videoclipes sobre corações partidos, canções extremamente simples, seja nas melodias ou nas letras, com suas influências de Elvis Costello, Buddy Holly (com aquele sentimento que dava ao ouvir R.E.M no comecinho) e absolutamente nada da década de 70 mas que soa tão fresco e atemporal que só dá mesmo é pra pedir pro leitor assistir tudinho na ordem, como está aí embaixo. Divirtasse.
 
::Ouvindo>> Girls – God Damned
 ::Wishlist >> Um pouco de distração.

Girls – Don’t Look Down na Pitchfork.TV  

I’m So Bored.

Setembro 28, 2009 - Leave a Response

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Faz tempo que eu não escrevo nada aqui e, como agora eu tenho um  e música não está acontecendo em mim no momento, vou fazer daqueles posts desabafos pós-adolescentes dos tempos de fotolog. Cansei de Americana. As pessoas com quem eu convivia bastante se mudaram ou vivem rotinas diferentes das que me agradam (tipo, ninguém mais gosta de ir a bares realmente divertidos, ver filmes realmente divertidos no cinema ou coisas assim) e, de um modo geral, morar aqui ficou realmente chato, insuportável. Engraçado que nem tem mais a ver com os fantasmas, já que nos últimos meses eu sinto que posso cruzar com todo mundo que me incomodava sem ficar mínimamente perturbado ou estragar a semana. Moro perto de um e às vezes cruzo na rua. Não é mais aquele pavor de antes. Não é culpa minha, não foi culpa dela, a vida continuou e todo mundo ficou bem. Outro, este que é desafeto mesmo, trombei num restaurante, mas ninguém precisei trocar nada além de um olhar breve de repulsa constrangedora. Protocolar. Eu cansei mesmo foi da rotina, dos lugares ou da falta de lugares pra ir, de gente nova pra conhecer, das expectativas que a noite reservava. Eu não desejo mais nada daqui, nem o que eu desejava tem a mesma graça. Eu vou para outras cidades sozinho e de ônibus, entro num barzinho com a possibilidade de conhecer alguém e isso já me toma por completo, aí passo a madrugada de rodinha em rodinha de pessoas. Gosto de ir para Barão Geraldo e ficar conversando até com gente que eu não gosto, só pelos assuntos em comum e por ter alguma novidade. Acho que estou sendo rondado por um desejo que nunca tive, que é o de conhecer lugares novos o tempo todo, como se isso fosse algo que desse algum sentido para a rotina. Cansei total de andar de madrugada só para aliviar a tensão de não ter nada novo acontecendo, só para terminar a próxima página dessa HQ que nunca acabava até então (isso mudou, o está no prazo e com produção intensa) ou para fazer algum projeto artístico sem graça que não vai me render nada pro Portfolio. Quero ir pras cabeças sou sentir que o faço de vez em quando. O tédio é tanto que nem medo de ir pra outro lugar eu tenho. Faltam mesmo é oportunidades para aproveitar por aqui. Foi se o tempo em que elas existiam e eu aceito isso. Perdi as raízes. Se aparecer algum trampo pra fora daqui e a grana for decente, tô indo.

::Ouvindo >> Plus Minus – Surprise

::Wishlist>> Novidade.

Goals

Setembro 17, 2009 - Leave a Response

Depois de alguns meses sendo professor e tendo observado o meu trabalho evoluir, sinto que algumas de minhas necessidades e anseios como aquele que exerce o ofício de ilustrador/designer mudaram. Dando aulas, temos a oportunidade de reaprender de várias maneiras diferentes o ‘arroz-com-feijão’ do nosso ofício e isso nos estimula a aprender, também, coisas que pelo prisma desesperado da rotina, não se mostrariam úteis como realmente são.

Ser o mentor de outras pessoas é uma tremenda responsabilidade. Responsabilidade tal, que te obriga a ser uma profissional melhor, mais apaixonado e te faz se acostumar com a pressão de ser um eterno perfeccionista, sem ter de transformar isso no ranger de dentes de sentir uma úlcera ambulante, uma figura angustiada que quer parar o mundo para descer.

Meu trabalho melhorou muito, abandonei muitas zonas de conforto que há muito já haviam se tornado vícios e descobri o quanto ainda sou pequeno no mundo e, se há uma nova angústia que assumiu o posto de prioridade, é essa de fazer a coisa acontecer, e cada vez melhor. Me sinto um recém-nascido aprendendo a engatinhar mas, no momento, a grande necessidade, ainda que comprovado desejo e não propriamente necessidade, é a vontade de um mentor que me ensine como ensinei esses alunos nos últimos meses.

Tive a oportunidade, ainda que rara, de ter mentor antes, mas quase, e digo quase, me arrependo de não ter aproveitado tanto quanto aproveitaria hoje.

Quero aprender um pouquinho como ensinei, com a mesma paixão, seria interessante. Mesmo.

Ah, e chequem meu blog novo: http://www.santiagoilustra.wordpress.com

::Ouvindo>> Faith No More – The Gentle Art of Making Enemies
::Wishlist>> Engordar o catálogo, if ya know what I mean. Ah, e trocar todo o time do São Paulo. Muricy.. I brilha muito no parmera.

Ponto Zero e a HQ ‘Seis’

Setembro 13, 2009 - Leave a Response
Excelente capa de uma das parte da série Seis que tem sua publicação online no blog da Ponto Zero.

Excelente capa de uma das parte da série 'Seis' que tem sua publicação online no blog da Ponto Zero.

O Guilt havia me falado disso aqui há um ou dois meses e eu realmente sequer entrei no site para pegar a primeira parte da história ou dar uma lida nos posts ou sequer contemplar a parte gráfica por falta de tempo e/ou cabeça para prestar a atenção, mas agora estou aqui lendo, principalmente por que dá uma certa solidão pegar essas páginas do EDT e sentir que finalmente sei o que estou fazendo e que, se souber mais, tô no lucro. Tem também a questão do Guilt (que está residindo no Rio com sua mulher, a Lila.) contar que conheceu o Grampá e o criador desse trampo no mesmo dia, e de ele falar que o cara que criou essa série para a internet é super acessível e gente boa, o que leva ao ponto de que num futuro próximo, vou ter muito o que perguntar à respeito, assim que acabar de ler isso aqui.

Acabei de ler a primeira ainda, mas realmente está me prendendo a atenção, por não parecer estar emulando a sofisticação estilística de nada. Parece simples, despretensioso e digno de uma boa olhada, a cara das embalagens que escondem as boas novidades. Pra falar a real, me irritam aqueles artistas que parecem estar querendo soar demais como o Bob Dylan, o Kafka, Garcia Marquez, Almodóvar, Radiohead ou qualquer referência óbvia e mal diluída no trabalho do cara, a ponto de ele perder a própria voz e não dizer nada sobre si mesmo, como se todo mundo não tivesse algo de fundamental para dizer que transcendesse a importância naturalmente imatura que temos de favorecer a maneira de fazê-lo. Existem cânones no processo como Sérgio Leone, Ennio Morricone, Leonard Cohen, Nick Drake e gente com arte extremamente visceral e altamente replicável como veículo para as suas idéias e já passou da hora dos novos artistas como eu ou você nos pautarmos por referências extremamente estilizadas como o Greg Capullo desenhando Spawn o aquela sombra linda que o Mike Mignola faz, mas isso é papo pra outro post. Vamo olhar pra frente galera.

Seis parece ser uma série bem bacana.

::Ouvindo>> El Mato a Un Policia Motorizado – Chica Rutera

::Wishlist>> Terminar logo essa porra de caminhão da página 5 do EDT, tá me deixando louco! Hoje sai.

Talking like a Hunchback called Igor, or a Caveman as well.

Setembro 13, 2009 - Leave a Response
At Ryan Adams Official website, you can find this video with a new single apparently called “Please Hold On”. You better not loose it ’cause it is really nice arty stuff. Though ‘nice’ isn’t really much when you just heard from the guy that he is sorta retiring at the same year, so just try to forget it now he just made one of that lo-fi songs with amazing chorus hooks that keeps you there for hours, something like Bibio(lovelly stuff), anything quite original if you read those indie blogs/sites(still lovelly stuff), but it really means something different on prolific Ryan Adams carrer as a composer.

You alsol know.. He was really digging that stuff Damon Albarn did through the last years of Gorillaz, Blur’s Think Tank and TGTBATQ. I mean.. He found a hook and made one of that kinetic loopings, that takes you up for a lot of different cold and calm images. I think is just the same thing when you remember how Dylan was his first solo effort. The only problem of everytime I hear some new song he does, is that the origin of it is a little bit more than an influence, he looks like someone who can replicate magically any others song formula everytime he takes a guitar and puSh REC.

I just have to admit that Ryan Adams still have to put out a masterpiece, if anything, a thing you would call original. He has all those amazing records that still sound so obvious about the origin of every catchy and sincere tune. It’s quite sad to know about a genius that doesn’t have his own word till certain point.

::Wishlist>> I don’t know. There’s a crave on my days. Lot’s of it, I’d just have to be pacient about all of them.

Listening to>> Ryan Adams – Please Hold On

My english is pretty bad, but I think I’ll keep trying these little reviews in english for a while.

Mais EDT

Setembro 10, 2009 - Leave a Response

Existe uma promessa desde 2008 de desenhar as primeiras 12 páginas da HQ que faço com o Guilt, a EDT e, por vezes, para o meu desespero e angústia do meu amigo roteirista, os contratempos terríveis desse ano e terror da página branca dos quadrinhos (dentre outros terrores relacionados a narrativa da página, achar que meu desneho não estav bom o suficiente, dentre outros..) faziam isso parecer impossível. No longeeeeer! Elas parece que vão sair devagarinho agora, mas vão sair. Agora que já faz uns meses que eu moro sozinho num apê aqui perto da rodoviária, tô botando ordem na casa e com algumas oportunidades como ilustrador rolando, eu posso continuar tentando e colhendo, ainda que lentamente, os frutos desse trabalho. A página 1 e 3 estão prontas e a página 5 está no meio, e suficientemente satisfatória pra mim, diga-se de passagem. Dentre outras coisas, há alguns rascunhos de personagens que já me agradam para colocá-los nessa história e assim a coisa caminha =).

Como moro sozinho, posso passar as madrugadas caminhando na rua deserta com MP3 alto, intercalando com as produções de HQ, freelas com ilustração e outras coisas relacionadas a essa rotina de arte. Meu desenho é melhor de madrugada como qualquer coisa que eu produzo é. Já vi o Grampá falar que o traço dele melhora muito depois das 3 da manhã e eu acho que é por aí pra mim. Acho que fico muito acordado depois da meia noite e não presto pra nada antes das 11 da manhã.

Mas nem tudo são flores e a correria ainda é grande, mesmo com tudo em paz como está, e matar um leão por dia é o constante desafio. Vou colocar a página que foi fotografada em A3 aqui, espero que gostem:

edt-002

 

Fora a produção dessas páginas, fica difícil precisar outros detalhes da série. Isso aí, muito provavelmente, vai sair na internet primeiro e depois sai a impressa, já com 24 páginas, em 3 vpartes com a mesma quantidade de páginas cada um.

Vale lembrar que eu não conseguiria pensar e voltar ao mesmo projeto por todo esse tempo se não achasse a história simplesmente excelente, mas a real é que a história e os personagens me mantém apaixonados pelo processo e é por isso que eu faço. É difícil encontrar boas histórias por aí.

Acho que a gente lê livro, vê tanto gibi e filme por que elas não são tantas, senão já teriamos cansado.

::Ouvindo>> Faces – Maybe I’m Amazed
::Wishlist>> Mais e mais projetos gráficos que me orgulhem no portifólio, EDT pronta e linda e um pouco mais de dinheiro na conta, não seria mal, hehehe.

Tipografia Cinestésica

Agosto 13, 2009 - One Response

Kinetic Typography é um lance bacana que as pessoas tem feito no After Effects. Pra quem precisa fazer trabalhos tipográficos e tem uma biblioteca mental tipológica, com um sem número de combinações bacanas de fontes, cores e fundos, é uma boa pedida assistir uma composição de Kinetic Typography daquela fala preferida de um filme, de uma música ou até com explicações super didáticas sobre a própria tipografia, como a do primeiro link abaixo. Rola também conhecer a modinha pois é muito útil para quem quer veicular coisas em mídias animadas e tem muita criatividade e bem pouco dinheiro para a produção. Você pode restringir palhetas fantásticas de cores, conceitos cinemáticos impactantes a uma sequência tipográfica animada e ainda correr o risco de passar a mensagem de maneira mais objetiva que com produções convencionais.

::Ouvindo>>Black Rebel Motorcycle Club – Howl (No meu MP3 Player genérico de 2 gigas que custou 50 pilas. Totalmente excelente.)

::Wishlist >> Comprar logo um PC. Tá foda ficar sem. Tudo bem que eu tô desenhando horrores em vista de antes, super concentrado também, mas dá vontade de ler e prodsuzir TAAANTA coisa num PC no final do dia que tá foda ficar sem ele fora do horário comercial.

Em plena atividade.

Agosto 12, 2009 - One Response

Alex

Esse é o Alex da EDT. Tá de um jeito que eu não consigo deixar desde quando comecei a tentar desenhá-lo, mas quye já tava na minha cabeça. Desenhei com Uni-pin 0.8, minha caneta preferida atualmente, que tô numa fase em que as idéias vêem livres da cabeça pra mão, sem muita pressão de como devem ficar, o que parece garantir uma vivacidade nelas que é externa a mim e que me convence na maioria das vezes.

Mas olha só eu no blog de novo né?

Hhehehe! Não é segredo pra ninguém que eu adoro escrever e que, se eu tenho a oportunidade de fazê-lo e nenhuma obrigação com isso, o faço com frequência. No entanto, o que manteve esse blog anormalmente parado nesses dias como o meu antigo fotolog jamais esteve, foi essa minha nova rotina e jeito de viver. Agora que vivo basicamente das aulas que dou, moro sozinho no meu apartamento perto da rodoviária da cidade (utilizo um pouco o apartamento do meu irmão, é onde cozinho diariamente, o que me evita de ficar completamente sozinho também, o que é muito saudável como hábito.) e já não saio muito, para tentar não fumar ou beber, e para ir montando a casa do jeito que eu quero, o que tem me deixado bem feliz, na verdade.

Eu já não vejo muita TV, salvo no apê do meu irmão, na janta e tô sem computador (vou comprar um esse mê, já é tempo), o que me afastou da rede, um pouco das pessoas, da quantidade de música que eu ouvia e por fim, me fez ficar mais focado para fazer as coisas. Sem muita coisa para viajar, eu fico mais disposto, menos deprimido e com as aulas, tenho a oportunidade de fugir de um comportamento recluso e anti-social ao qual sou incrívelmente propício embora não apreça para alguns que me conhecem. Uma das coisas mais legais nesse jeito de viver é poder voltar a desenhar de novo, como não fazia há muitos anos mesmo e poder estudar assuntos que realmente me interessam de maneira ligeiramente regrada, coisa que nunca fiz com regularidade.

Há meses que já não fumava com voracidade, era um hábito ocasional, mas já não fumo há algumas semanas e queria tirar esse hábito da minha vida, já que o cigarro não é mais tão presente nos bons momentos da minha vida e não faz falta agora que estou com 25 anos e quero preservar a minha saúde, descobrir como é viver se3m beber todo fim de semana, sem fumar todo dia, sem pensar em muito rockn’roll e pressão desse tipo de arte e estilo de vida o tempo todo. Se eu dissesse que essa coisa de rockn’roll me cansou eu estaria mentindo. Não ter comprado uma Epiphone Casino Cherry agora e não estar com um belo maço de Carlton vermelho na mão, não estar ligando pra ver pra onde o pessoal vai nessa sexta é algo firmemente calculado. Rock nunca me rendeu nada.

Nem relacionamento com mulheres, dinheiro, reconhecimento ou coisa assim, mas eu realmente gosto de todo o progresso que eu via, e no dom de apertar o play e ver idéias ganhando vida depois de apertar o rec uma certa dezena de vezes. Eu gosto mesmo dessa coisa de ser uma pessoa comum num ambiente de trabalho em que eu sinto prazer, conforto e contentamento diário nos meus afazeres e ser algo mais que isso só ocasionalmente. Eu meio que sinto como se tivesse vivido o contrário o tempo todo, constantemente privado do dom da satisfação com o cotidiano que as pessoas têm, com essa coisa que as pessoas tem de se acomodar no trem que é a vida, sem grandes sonhos ou pretensões. Eu ainda os tenho, mas parece que agora eu tenho um momento só pra mim pra deixar o meu espírito respirar. Não é tipo a felicidade absoluta, mas é uma calma que parece que veio pra ficar, rende bons frutos constantemente e por isso, é muito bem vinda.

::Ouvindo>> Nada, mas imaginando Fleet Foxes – White Winter Hymnal

::Wishlist >> Que esse mês e o próximo dêem certo pro computador vir suave tipo até semana que vêm, hehehe.

Alicerces

Julho 11, 2009 - One Response

mj

Hoje é dia 08 de julho de 2009, o dia em que Michael Jackson, o rei do Pop foi homenageado pelo mundo inteiro em seu velório aberto ao público, um evento que promete ser o que recebeu a maior cobertura da mídia nos últimos anos, algo que só constataremos nos próximos dias ao ler os jornais, mas com certeza um dos maiores. Mas o texto não é sobre o quanto esse artista significa para mim ou pra ninguém, mas sobre as consequências desse valor para a cultura pop, que eu tenho acompanhado com gosto nos últimos anos, na minha primeira década consciente da vida adulta e da transição que isso representa para a cultura, nos novos movimentos e signos, tribos, clichês, dialetos que hoje, mais do que qualquer época, já nascem com valor histórico definido para algumas pessoas. Um dos meus exemplos é que, temos certeza, esse Michael Jackson é tão grande quanto Elvis Presley foi, o que não temos certeza é o quão maior ele já é ou pode ser. É fato que a sua obra enquanto vivo foi um elemento transformador fundamental na música pop para qualquer gênero de electro, indie, R&B, Hip-hop, com a sua maneira de dançar, de cantar, com o divisor de àguas que foi o padrão de qualidade dos videoclipes depois de Michael Jackson. Michael Jackson mostrou que a imagem é fundamental para a música pop, incapaz de se sustentar sozinha, e poderia dissertar sobre esse pormenor ou qualquer outro que foi o que chamamos de legado, mas não são mais do que isso.. pormenores. Pormenores tantos que, se somados, fica fácil já ler a história do que vivemos nas entrelinhas, como se fosse agora o futuro, e a influência de seu legado, algo de 20 anos atrás, e isso com certeza é a parte mais interessante.

 

Foram pensamentos assim que me pesaram ao ver o John Mayer tocando Human Nature, a filhinha do cara chorando e a Janet Jackson franzindo os lábios como se quisesse discordar de Deus, do destino, como se sua ira fosse maior do que a vontade divina, e eu me emocionei um bocado com isso, e só concordava com as pessoas sobre o quanto já encheu o saco essa cobertura da mídia apenas da boca pra fora. Eu estava e estou mesmo maravilhado com o quanto as pessoas se importam e com o quanto eu me importo com a morte do Michael Jackson e com o quanto isso é realmente natural, diria que é bastante. Fico chocado principalmente com o poder que a morte desse cara vai ter de influenciar a música pop dessa nova década, afinal, o cara morreu no meio do último ano do final da década, aquele ano em que as pessoas simplesmente tentam fazer discos bons que ninguém parece querer ouvir, que a crítica nunca vai ver, já que não é a molecada que está fazendo, já que não há nada que pareça ter credibilidade em fim de década e tudo parece meia bomba na música pop ou, no mínimo, grande demais para nascer de novo, velho demais para ser novo.

 

De resto, os quadrinhos de final de década estão ótimos e merecem um texto à parte, seus alicerces estão bem bacanas. O mesmo dá para se dizer dos livros, da literatura urbana que conversa tão bem com as outras mídias, escondidinha atrás de blogs e do gosto duvidoso do público underground, com promessa de vida eterna (oxalá), e também dos grupos na internet, dos gadgets e de todo o resto. Tudo tá legal e você pode comprar ou não. Pode ser geek chic de boutique ou ficar em casa e se esconder dos rótulos nerds, que nem eu, que tenho medo de orgulho nerd ou qualquer coisa orgulhosa demais. Eu quero ver essa década entrar e olhar tudinho, com a orelha no chão, pra olhar bem os alicerces do novo que, se Deus quiser, vai ser novo para a maioria, “Renovo”.