Dorme
Que nada te espante numa manhã fementida
Que não te cative aquilo que não muda amiúde
E ouve
Pois vou te contar
Da brevidade do que entrego só a ti
Que do antes foi e do amanhã já não é
Mas antes, olha
E finge que nada nunca dói
Diz que tá tudo bem
Pois quando eu não fizer por merecer
Sequer rafe de sorriso
Quem me avisará quando o dia não amanhecer igual?
Então muda
Pois nada meu é de te fazer brilhar
Como tua velha chama
Tua graça me antecede
E do desfocado horizonte do futuro, tira alguma alegria, essa que gravita
Por entre uma incerteza e outra
E me rende uma canção.
Só mais uma canção.