Acho que acabei de conhecer a pessoa mais digna e humilde desde a empreitada de mudar para Campinas. Não é do interior, é dado a conversar umas boas horas, acostumado a trabalhar pra caralho, como todo mundo daquele inferno de pedra que é São Paulo, a cidade grande mais grande que eu já vi. É de Osasco, um cara de 40 anos que trabalha montando a logística peixarias em mercados municipais e pretende mudar para o interior. Logo me lembrou meu pai e a diferença que fez na minha vida a decisão dele de sair de Itaquaquecetuba. Não me entenda mal, não tô contando quem eu conhecia antes de eu mudar pra cá pra Campinas, só durante. Nunca convivo com tanta gente fútil, ou alienada pelo próprio trabalho, geralmente muito infeliz ou com falhas morais graves como conhece até então. Lamentável. Eu, que venho de família trabalhadora (entenda, que trabalha pra caralho, incluindo os filhos), me liguei que não suporto muito essa parada de viver no meio de gente indulgente demais, isso me faz sentir isolado. Passei uns anos perdido, com essa coisa de ser ilustrador, sem referencial ou oportunidade, mas nunca deixei o sonho de lado. Vou falar que acho que não ter um sonho bem claro, um objetivo estável aos 20 e tantos é a porra mais indulgente do mundo. Na real, aquela parada do “use protetor solar”, das pessoas que não sabiam o que fazer com vinte e tantos me enoja um pouco. Vou falar que é difícil continuar amando tanto quadrinhos e música nas condições e formação que eu tenho, mas eu acredito que pode tudo dar certo, do mesmo jeito que foi sonhado anos antes. Bial, vai tomar no cú tranquilo, filha da puta (Me perdoa, tô poético hoje).
::Ouvindo >> Fleet Foxes – English House
::Wishlist>>