
Aí você se olha no espelho com certa ternura, como se olhasse pra alguém que gosta muito, por quem nutre imenso carinho. Lembrando que, geralmente, a gente costuma ter um carinho especial por alguém que não costuma ser a gente mesmo, a gente chama isso de amor. Não estou falando de amor próprio, isso é outra coisa.
Falo mesmo é de olhar pra dentro, pro pergaminho de decassílabos intermináveis se extendendo ao infinito escuro que é a mente, que é a identidade, e se encontrar lá, confortável. Ler blogs e diários velhos, ouvir gravações antigas, ver rascunhos e sketches preciosos que você até já tinha esquecido que existia. Todo um altar erguido ao seu panteão particular de ídolos. Todos pequenas facetas de quem você costumava ser. Ídolos clássicos. Gente de outro tempo, que já deve estar morta agora.
Cada contradição, afirmação, paixão, apatia forçada, angústia passageira e pequena mentira é cristalizada em verdade. Vibra. E você mesmo é tão novidade pra si, que resgata o valor, a beleza e o mistério de cada pequeno dom divino. De repente, se mexer é tão doce e suave como quando a vida era simples e ingênua.
Tô morando em Americana de novo. No mesmo lugar de antes e tá ótimo. Bem melhor assim =)
::Ouvindo>> Elliott Smith
::Wishlist >>